Reformador, janeiro 1971, p. 5.
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A DIFERENÇAIrmão X A reunião de preces alcançava a parte final. E, na organização mediúnica, Bezerra de Menezes retinha a palavra. O benfeitor desencarnado
distribuía consolações, quando um companheiro o alvejou com azedume: — Bezerra, não concordo
com tanta máscara no ambiente espírita. Estou cansado de tartufismo. Falo contra
mim mesmo. Posso, acaso, dizer que sou espírita-cristão? Vejo-me fustigado
por egoísmo e intolerância, avareza e ciúme; cometo desatenções e disparates;
reconheço-me freqüentemente caído em maledicência e cobiça; ainda não venci a
desconfiança, nem a propensão para ressentir-me; quando menos espero,
chafurdo-me nos erros da vaidade e do orgulho; involuntariamente, articulo
ofensas contra o próximo; a ambição mora comigo e, por isso, agrido os meus
semelhantes com toda a força de minha brutalidade; a crítica, o despeito, a
maldade e a imperfeição me seguem constantemente. Posso declarar-me espírita
com tantos defeitos? O venerável orientador
espiritual respondeu, sereno: — Eu também, meu amigo,
ainda estou em meio de todas essas mazelas e sou espírita-cristão... — Como assim? — revidou
o consulente agitado. — Perfeitamente —
concluiu Bezerra, sem alterar-se. — Todas essas qualidades negativas ainda me
acompanham... Só existe, porém, um ponto, meu caro, que não posso esquecer. É
que, antes de ser espírita-cristão, eu fazia força para correr atrás de todas
elas e agora, que sou cristão e espírita, faço força para fugir delas
todas... E, sorrindo: — Como vê, há muita diferença. * (Mensagem
recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier) |
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